Crônicas

Depois dela

Anos atrás fiz uma Oficina de Poesia na Estação das Letras, com o Poeta Luis Maffei. Era uma das mais jovens da turma, só eu e uma outra menina, com provavelmente a mesma idade que eu. Em um daqueles dias, o Poeta trouxe muitos livros, os espalhou sobre a mesa e pediu que escolhêssemos um para trabalhar. Acho que naquela época não era tão indecisa. Meus dedos, meus olhos pousaram e “agarraram” Ela.  

Adélia Prado foi a primeira poeta que tentei imitar, isso alguns bons anos depois que já tinha “iniciado a mim mesma” (“ou tinha sido iniciada? Gratidão Vida!”), em meus escritos, em meus poemas. O livro era A faca no peito. Passei meus olhos por aqueles versos, achei bonitas as cores da capa, caí de amores por Adélia: seus poemas curtos, simples, mas tão ricos, cheios de amor, de Deus, filosofia, simplicidade, vida, gente, sentimento, se encontrando ali.

O poema escolhido foi “Mandala, que me chamou a atenção, impactou pelo tamanho, pelo nome, personagem – Jonatan, por como ela fez e faz muito bem, caber tanta coisa, boniteza, tanta gente, tanto sentimento em poucos versos.

Minha ficção maior é Jonatan,

mas, como é poética, existe

e porque existe me mata

e me faz renascer a cada ciclo

 de paixão e de sonho.”.

Meus versos saíram assim:

Meu maior delírio é Carlitos

que ao sussurrar-me palavras amorosas

me rasga,

e quando me rasga,

costura-me com retalhos

e linhas tortas

que se cruzam

sem nunca dar nó.

O professor gostou, achou interessante o personagem, que antes era Lucas, e sugeriu modificar um verso, que achei mais bonito e impactante, no todo: que ao sussurrar-me palavras amorosas, ficou, que ao criar-me com sua boca, versos dele. Prefiro a versão que tem os meus versos e um dele. Jonatan virou Lucas, que virou Carlitos…

Comecei a pensar que se eu tivesse uma referência, um estilo que gostaria de escrever mais próximo, seria o dela, minha querida e amada Adélia. Me encanta sua história de vida, “tardiamente” publicada, Adélia também me inspira a seguir em frente, persistir, não desistir de mim mesma, enquanto poeta, escritora! Ela me mostra, que nada é impossível, quando se tem Deus, se tem poesia nas mãos e no peito, bem como também, simplicidade, sentimentos, pessoas.

Hoje minha poesia tem tomados outros rumos. Faz tempo que não trago Adélia na mente, no peito, mas quando quero escrever poemas curtos e mesmo depois de mergulhar em outras poetas, mais contemporâneas, não consigo produzir nada, busco a mim, busco Deus, busco o ar; encontro meu começo, e lembro dela e busco seus versos para ler. A escrita vem, sempre, em alguns momentos, espontânea, e/ou quando o coração e mente estão cheios: ideias, sentimentos, energias! Vou compondo versos …

Escritora, apaixonada pelas PALAVRAS, poesia, livros, artes, cinema, dança, qualquer coisa relacionada à Arte. Quando escrevo minha mão flutua, se derrama inteira no papel. Meus primeiros passos na escrita como prazer e desejo – da Alma e do Coração, se deram aos meus 13 anos. Ideias, palavras versos, voz(es), imagens chegam para mim, muito natural e espontaneamente, às vezes tão rápido que quase atropelo tudo, mas sempre repenso e edito, o que também me é muito prazeroso de fazer.

Sentiu algum desejo? Memórias vieram a sua mente e ao seu coração? Sonhou? Me conta aqui se esse texto mexeu com você!!!

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